terça-feira, 19 de abril de 2011

Por que Príncipes Viram Sapos



Nos contos de fadas, a princesa beija um sapo que se transforma em um belo príncipe. Muitas vezes, na vida real, a mulher leva o príncipe para casa e acorda com um sapo-boi, enorme e verruguento ao seu lado. Onde foi parar o príncipe? Será que pegou seu cavalo branco e deu no pé?

Bom, já está mais do que na hora de nossas fantasias irem para o brejo. Acorde Bela Adormecida! A verdade é que a princesa não é tão princesa assim nem o príncipe existe e muito menos é tão educado, inteligente, elegante e bondoso como imaginamos, ou melhor, como desejamos.

O texto abaixo é do psicanalista Flávio Gikovate e nos ajuda a entender porque o "encantamento" a dois não dura para sempre.

Por que Príncipes Viram Sapos

 
Para entender por que nos decepcionamos com o ser amado, é preciso conhecer o processo de namoro: saber o que leva a nos encantarmos sentimentalmente com alguém. O que faz uma pessoa até há pouco tempo desconhecida se tornar tão indispensável para nós que não imaginamos mais a vida sem ela? Não há como responder integralmente a essa pergunta, mas algumas conclusões parciais podem ser úteis para cometermos menos erros.

Em primeiro lugar, as pessoas se envolvem porque se acham incompletas. Se todos nós nos sentíssemos “inteiros” em vez de “metades”, não amaríamos, pois o amor é o sentimento que desenvolvemos por quem nos provoca aquelas sensações de aconchego e de algo completo que não conseguimos ter sozinhos. A escolha do parceiro envolve variáveis intrigantes, que vão do desejo de nos sabermos protegidos à necessidade de sermos úteis ou mesmo explorados.

A aparência física ocupa um papel importante nesta fase, sobretudo nos homens, que são mais sensíveis aos estímulos visuais. Muitos registram na memória figuras que os impressionaram e que servem de base para criar modelos ideais, com os quais cada mulher é confrontada. Pode ser a cor dos olhos, dos cabelos, o tipo de seio ou de quadril. São elementos que lembram desde suas mães até uma estrela de cinema. As mulheres também selecionam indicadores do homem ideal: deve ser esbelto ou musculoso, executivo ou intelectualizado, voltado para as artes e assim por diante. Todos esses ingredientes incluem elementos eróticos e se transformam, na nossa imaginação, em símbolos de parceiros ideais. De repente, julgamos ter encontrado uma quantidade significativa de tais símbolos naquela pessoa que passou pela nossa vida. E nos apaixonamos.

A fase de encantamento, no entanto, se fundamenta não só em aspectos ligados à aparência, mas também no que há por dentro. No entanto, uma outra situação pode ocorrer: conversamos com quem nos chamou a atenção e, devido à atração inicial e ao nosso enorme desejo de amar, tendemos a ver no seu interior as afinidades que sempre quisemos que existissem naquele que nos arrebata o coração.

Por exemplo: um rapaz franzino e intelectualizado é visto como emotivo, romântico, delicado, respeitoso e pouco ciumento. A moça se encanta com ele e espera que ele seja portador dessas qualidades. A isso chamamos idealização: acreditar que o outro tem características que lhe atribuímos. Sonhamos com um príncipe encantado – ou com uma princesa ideal – e projetamos todos os nossos desejos sobre aquela pessoa. E, quando passamos a conviver com ela, esperamos as reações próprias do ser que idealizamos.

Mas o que ocorre? É o indivíduo real que vai reagir e se comportar conforme suas peculiaridades. E é muito provável que nos decepcionemos – não exatamente por causa de suas características, mas porque havíamos despejado sobre ele fantasias de perfeição.

O erro nem sempre está no parceiro, e sim no fato de termos sonhado com ele mais do que prestado atenção no que ele realmente é. Eis aí um bom exemplo dos perigos derivados da sofisticação da mente, capaz de usar a imaginação de uma forma tão livre que a realidade jamais conseguirá alcançá-la. (Flávio Gikovate)






segunda-feira, 4 de abril de 2011

A IMPORTÂNCIA E A NECESSIDADE DA PRESENÇA FÍSICA



Vivemos na época dos relacionamentos virtuais, mas a web não substitui o contato físico. O texto abaixo é da autoria do psicanalista Jorge Forbes e fala sobre a necessidade e a importância da presença física.


PRECISO DE VOCÊ


"Cada pessoa precisa de alguém que o ajude a chamar o seu êxtimo, de meu íntimo".

A jornalista me pergunta impressionada a razão de novas pesquisas constatarem que, contrariamente ao que muitos esperavam, o povo da internet cada vez mais associa seus passeios na rede com a necessidade de estar junto. Esse fato relativiza as críticas morais que bradam ameaçadores avisos anunciando que o mundo estaria perdido, pois a www - World Wide Web – seria uma teia perigosíssima que estaria aprisionando nossa pobre juventude, em um isolacionismo narcisista e emburrecedor.

Essa notícia chega ao mesmo tempo em que o Papa se precipita em condenar um aplicativo para smart-phones, através do qual o fiel antenado se confessaria on line, sem a necessidade de se ajoelhar na madeira dura de um confessionário escurecido por muitos pecados ali penitenciados. Ao menos dessa vez, ufa!, o Papa mostrou que “tá ligado”, pois a web não substitui a presença física.

Na mesma vertente, podemos falar da repetitiva pergunta se é possível fazer análise por skype, ou serviço semelhante, sem ter que se preocupar com o terrível trânsito das grandes cidades, bem como se garantir em ter seu analista à mão, ou melhor, na tela, entre um mergulho e outro, em uma ilha paradisíaca, do outro lado do mundo.

Não dá. Há um quê na presença física que é insubstituível. E se dizemos “um quê” é exatamente pelo fato de não podermos precisar o que é isso da presença física que não sabemos traduzir em nenhum idioma e por nenhum meio, razão pela qual não a podemos substituir, pois, como celebrou Michel Foucault: “a palavra é a morte da coisa”; se falamos de algo, substituímos o algo pela palavra e não precisamos mais dele.

Em um mundo que quebrou os paradigmas cartesianos de espaço e tempo, jogando-nos no furacão do ilimitado sem fronteiras, não há nada a estranhar na necessidade da presença física do outro, do corpo do outro, do seu enigma, do cheiro, cor, som, movimento, textura, olhar, que não sabemos traduzir em bytes. Esse enigma do outro é o remédio para a angústia tão atual, por nos termos visto transformar em habitantes de lugar nenhum.

Seis mil moças e moços geeks se acotovelaram por uma semana, em São Paulo, em uma festa chamada Campus Party. Seis mil!, em um pavilhão de exposições. É tão importante estarem juntos, que um nipo-brasileiro, morando ao lado do local da festa, trocou o conforto de seu quarto, por uma tendinha de campanha, verdadeiro elogio do desconforto.

A presença do outro nos remete ao mais essencial de nós mesmos. Se fôssemos honestos, parodiando Vinícius, jamais diríamos expressões do gênero: “no meu íntimo”. E isso porque o que nos escapa é exatamente o nosso íntimo. Diríamos, melhor, com Lacan: “no meu êxtimo”, sim, porque o meu íntimo me é tão estranho – quem já passou por uma análise sabe bem o que estou descrevendo – que melhor chamá-lo de êxtimo, clara alusão ao estranho e ao externo de si mesmo, que habita cada um.

Podemos nos livrar de muita coisa na vida, mas não da gente mesmo, em especial desse ponto íntimo desconhecido, promotor de nossas paixões, essa força estranha vivida na sensação do “mais forte que eu”. A presença física do amigo, do amado, do familiar, do próximo, nos reconecta com esse ponto fundamental, âncora de nossas existências, ponto transcendente de nossa imanência, se quisermos nos valer do discurso da Academia.

Nesse mundo de aparente tudo pode, e de em tudo estou, não por isso devemos nos assustar que ao lado do aumento dos acessos aos meios virtuais, vejamos crescer em paralelo os lugares de encontro físico, sejam eles campus parties, igrejas, consultórios, bares, cruzeiros. Os motivos são variados e o que neles se realiza, também, mas a necessidade é uma só: estar junto. Na era da pós-modernidade, onde o laço social das identificações é predominantemente horizontal, nos damos conta que o principal afeto, o mais fundamental afeto, é o da amizade. Cada pessoa precisa de alguém que o ajude a chamar o seu êxtimo, de meu íntimo. (Jorge Forbes)


(artigo publicado na revista Psique nº 63, março 2011)


terça-feira, 15 de março de 2011

10 Mitos Sobre A Psicanálise


 Texto de Silvana Tavano

O paciente fala deitado no divã e o analista só escuta, sentado numa poltrona confortável. Clichê no cinema, a cena nem sempre é exatamente essa nos consultórios. Aqui, toda a verdade sobre o folclore que envolve essa relação tão delicada.

Todas as terapias têm a mesma meta: lidar com a angústia e com o sofrimento, ajudando o paciente a ser mais feliz e a encontrar um sentido para a vida. Mas cada modalidade busca esses objetivos a sua maneira. Em alguns casos, a pessoa vai dramatizar e reviver situações pelas quais passou; em outros, vai tentar desatar nós desbloqueando tensões físicas. Na psicanálise, a fala é o fio condutor de um processo de autoconhecimento.

Tudo começou com Freud, no início do século passado: ao receber pacientes que já tinham consultado todos os médicos de Viena, sem sucesso. Freud percebeu que o ato de falar, sendo ouvido por alguém, era terapêutico. Mais do que isso, esse discurso podia trazer à tona conflitos que estavam em outro lugar além da mente racional, a esse lugar ele deu o nome de inconsciente. "Uma parte da mente a qual não temos acesso, mas que é capaz de produzir efeitos, como neuroses, angústias e sintomas físicos", explica a psicanalista Mania Deweik, de São Paulo.

A seguir, três especialistas falam sobre os mitos que cercam o assunto, mostrando que muito do que se diz sobre a psicanálise é um exagero.

1- O psicanalista nunca fala durante a sessão

“Eu falo e escuto, ensino, aprendo e também me divirto com meus pacientes", diz a psicanalista Mania Deweik. Segundo ela, talvez esse mito tenha surgido quando a obra de Freud foi traduzida do alemão para o inglês. "Ele escrevia de maneira literária, inspirava-se nos poetas, na tragédia grega, e seus discípulos ingleses entenderam que era preciso dar uma forma mais científica à sua teoria. Esse pode ter sido um dos fatores que contribuíram para a ideia de neutralidade.”

Na prática, existem psicanalistas que mantêm uma atitude mais sisuda. "É uma questão de estilo pessoal. Tem quem seja mais reservado e há os que são expansivos. Mas isso não é uma regra da terapia", diz o psicanalista gaúcho David E. Zimerman.

2- Para ter resultado, é preciso fazer terapia durante muitos anos

Na época de Freud, os tratamentos terminavam em meses. Mas, ao longo das décadas, a psicanálise se desenvolveu como um processo que dura anos. Hoje a prática não corresponde a nenhuma das duas alternativas. "A psicanálise não pode ser definida como um tratamento breve, porque exige um tempo de elaboração, e esse tempo varia de pessoa para pessoa", diz a psicanalista Dulce Barras, de São Paulo. Na sua clínica, o usual é começar com duas sessões semanais, que podem se reduzir a uma, e o tratamento dura, em média, de três a cinco anos. Segundo Mania Deweik, o tratamento pode parecer longo para quem busca resultados imediatos contra a tristeza, o medo, a ansiedade. "Mas crescer não é um processo instantâneo. E, além disso, cada paciente tem sua história e seu ritmo", diz Mania.

3- A análise é um tratamento caro

A ideia de um tratamento elitizado, que só acontece entre quatro paredes e com um paciente pagando por infinitas sessões, já não corresponde à realidade. "A psicanálise está nas creches, nos postos de saúde e nas instituições de saúde mental", explica Mania Deweik O psicanalista David Zimerman afirma que a maioria das sociedades psicanalíticas mantém serviços ambulatoriais, com preços acessíveis à população. "Além disso, é normal analista e paciente conversarem e negociar a questão do dinheiro", diz Dulce Barros.

4- O paciente fala o tempo todo do passado, da mãe e do pai

É importante trazer do passado as situações que continuam a perturbar ou a se repetir no presente, mas isso não significa que a análise vai girar em torno disso. "O único passado que interessa é o que não foi suficientemente elaborado, isto é, entendido e aceito. Por isso, continua incomodando o paciente", explica Mania.

Segundo Zimerman, o assunto de cada sessão fica a critério do paciente. É comum que a pessoa fale sobre situações cotidianas, ligadas ao trabalho ou à família. Mas, através desses temas que fluem espontaneamente, muitas vezes é possível fazer uma conexão com situações similares que já aconteceram. "Essas associações trazem compreensão. É o que tecnicamente chamamos de 'insight'. Nesse momento, o paciente se dá conta de que está agindo de determinada maneira porque tende a reagir da mesma forma. São jeitos de se comportar ligados a traumas ou relacionamentos antigos", explica o psicanalista. Nas palavras de Dulce Barros, os fatos imediatos são uma consequência do passado. "Na análise, a pessoa percebe que existe esse processo de repetição e que isso só termina quando há uma compreensão do que aconteceu.”

5- Tudo o que a pessoa faz tem a ver com sexo

Segundo David Zimerman, essa falsa crença tem origem no próprio Freud, que relacionava todas as angústias e sintomas a algum problema sexual. "Hoje essa visão se justifica só em certos casos. Na maioria das vezes, há outros aspectos a considerar e que são mais importantes do que as questões ligadas ao sexo", explica o psicanalista. A questão é que, para Freud, o conceito de sexualidade ia muito além do ato sexual genital, incluindo várias outras manifestações prazerosas. "Nesse contexto, o sexo não deve ser entendido como relacionamento homem-mulher, mas como todas as experimentações ligadas ao prazer", explica Dulce Barras.

6- Muitos pacientes se apaixonam pelo psicanalista

“Pode acontecer. Mas essa ‘paixão’ tem muitos coloridos, não só o do desejo sexual. Pode ser uma transferência da imagem da mãe, da amante, da competidora... Importante é que isso seja analisado como qualquer outra fantasia", explica Mania. Para Dulce, muitas vezes esse jogo de sedução esconde apenas uma outra forma de resistência. "O paciente imagina que, se encantar o médico, vai ser menos censurado." Nessa situação, o papel do psicanalista é decisivo. "Ele vai, sim, lidar com os sentimentos do paciente, mas não pode ficar envolvido com ele", explica Zimerman.

7- O paciente não pode saber nada sobre o seu psicanalista

Freud atendia em sua própria casa, sob o mesmo teto em que moravam os oito filhos, a mulher e a cunhada. Portanto, a ideia de total neutralidade do profissional não tem nada a ver com ele, mas com a interpretação que seus seguidores fizeram de sua teoria. "Acredito que é preciso estabelecer limites, mas existem formas de olhar para isso. Cabe ao analista definir até que ponto a curiosidade do paciente é normal e a partir de que momento isso se transformar em mais um problema a ser trabalhado", explica Zimerman. Em uma relação tão íntima, muitas vezes o paciente passa a ver seu analista como um amigo, com quem gostaria de, por exemplo, poder sair para tomar um café. "Mas é importante preservar a cumplicidade que se conquistou dentro do consultório. Por isso, a relação não deve mudar de formato", explica Mania, Segundo ela, não há hierarquia, mas o relacionamento não é de igual para igual. "Um fala e o outro escuta, as posições que as pessoas ocupam são diferentes. Essa não é uma relação entre amigos", conclui Mania.

8- É obrigatório deitar no divã

O que define a análise não é o divã, mas a escuta do analista. Todos concordam, porém, que o divã pode facilitar. "Freud atendia até 15 pessoas por dia. Não é fácil ficar submetido ao olhar do outro durante tanto tempo, tentando, ao mesmo tempo, captar o que aquela pessoa está dizendo", diz Mania. Apesar disso, os pacientes ficam à vontade para ocupar o espaço que desejam em seu consultório. Para o psicanalista David Zimerman, a pessoa fica livre para decidir. "Mas considero uma conquista do paciente quando ele decide fazer análise deitado. Isso apenas demonstra que ele sente confiança e não tem necessidade de tentar controlar seu analista", Isso também não é obrigatório para a psicanalista Dulce Barros, mas ela admite que a terapia flui mais tranquilamente com o paciente deitado. "Quem usa o divã geralmente está relaxado e menos defensivo.”

9- O psicanalista interpreta os sonhos

O sonho é um dos caminhos de acesso ao inconsciente e auxilia o trabalho de análise. "Mas é o paciente que traz associações relacionadas ao sonho", explica Dulce. O analista ajuda e estimula a pessoa a fazer as suas próprias interpretações. "Não se trata de um oráculo, alguém que está dizendo algo que o outro não sabe... Na prática, o analista só junta aquilo que o paciente está próximo de descobrir por si mesmo", explica Mania.

10- É muito fácil enganar o analista

Mesmo que o paciente minta, o analista tem como conduzir bem o tratamento. Na prática, isso não chega a ser importante, já que o analista não está preocupado com a veracidade dos fatos, mas com a forma como a pessoa conta suas verdades e também suas mentiras. "Mesmo que seja falsa, a história sempre vai ter a estrutura e o jeito de ser daquela pessoa. E isso é revelador", diz Mania. Para Zimerman, é importante que o analista assinale, em algum momento, que o paciente está mentindo para si mesmo em primeiro lugar.

COMO SABER SE ESTÁ FUNCIONANDO?

Ao longo do tempo, o paciente tem condições de saber se a terapia está surtindo efeito. "Quando a pessoa consegue mudar a realidade e percebe isso, ou se as coisas começam a dar certo no dia-a-dia, é possível associar essas situações a um tratamento bem sucedido", explica a psicanalista Dulce Barros. O inverso também vale: quando a vida não muda, talvez algo esteja errado. E esse algo pode ter a ver com o paciente ou com o terapeuta. Segundo os especialistas, é normal sentir um certo incômodo em alguns momentos e resistir às colocações do analista. Mas, se esses sentimentos persistem, é bom refletir sobre o que está acontecendo. "Quando não há empatia entre o paciente e o analista, por exemplo, o tratamento não evolui", explica a psicanalista Dulce.

Na prática, dá para se auto-avaliar a partir de situações cotidianas: o paciente que não falava em público de jeito nenhum pode comemorar como um grande passo o fato de enfrentar cinco minutos de exposição durante uma reunião de trabalho. "Da mesma forma, quem antes evitava conversar com qualquer autoridade, com medo de críticas, vai se sentir fortalecido quando puder encarar esses contatos com naturalidade, sem insegurança", explica Mania Deweik. Segundo ela, um dos bons efeitos da análise é fazer com que a pessoa se questione em cada situação, buscando saber por que reage de um jeito e não de outro.




quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO!!!




RECEITA DE ANO NOVO


Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido

(mal vivido talvez ou sem sentido)

para você ganhar um ano

não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;

novo até no coração das coisas menos percebidas

(a começar pelo seu interior)

novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia,

se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens?

passa telegramas?)

Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar arrependido

pelas besteiras consumadas

nem parvamente acreditar

que por decreto de esperança

a partir de janeiro as coisas mudem

e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando

pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.

(Carlos Drummond de Andrade)



quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

QUEM NÃO ACREDITA EM PAPAI NOEL?




O texto abaixo é da autoria do Contardo Calligaris. Desejo aos meus pacientes, amigos, familiares e  leitores  um Natal abençoado. Que todos tenham ainda dentro de si a capacidade de sonhar, a coragem de acreditar em um mundo mais generoso nem que seja só por um dia e de querer que seus desejos sejam realizados. 


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Papai Noel encarna a esperança básica de que, ao menos uma vez por ano, o mundo nos queira bem

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NO SÁBADO, foi o primeiro aniversário de Gabriela, filha de amigos meus. Ela estava radiante, num vestido que, pela cor vermelha, contribuía ao tema da festa: o Natal. Havia um Papai Noel no seu trenó, em tamanho natural, e a casa do Papai Noel no polo Norte, com o elfo a judante diante da porta e muita neve no teto. Havia também duas renas voadoras, que não reconheci, mas nenhuma delas era Rudolfo (que, como se sabe, tem nariz vermelho).

Concordo com a escolha dos pais de Gabriela: como primeira história na qual acreditar, a de Papai Noel é imbatível -embora ela tenha vários inimigos.

1) Há os que dizem que Papai Noel não passa de um vendedor de shopping center ou de um animador de loja de departamento, inventado para que, nesta época do ano, compremos um monte de futilidades. Penso diferente.

Vi muitas crianças ponderando e escrevendo suas cartas de Natal ou, então, esperando, na fila, para sussurrar seus sonhos no ouvido do próprio Papai Noel. O importante não era que elas conseguissem o que pediam, mas que elas manifestassem suas vontades, tivessem a coragem de querer.

No Natal, aliás, o presente é quase supérfluo. Nestes dias, não há como jantar num restaurante sem assistir à entrega das surpresas de um amigo secreto. Cada um desembrulha, finge encantamento e ergue seu presente para a foto: é um troca-troca de objetos sem uso que acabarão no fundo de uma gaveta ou serão passados adiante, quem sabe no Natal do ano que vem.

O presente pode ser qualquer coisa porque, em muitos casos, seu valor é o mesmo dos ursos de pelúcia que abraçamos no sono, ao longo da infância: ele serve como lembrança saudosa de quem nos presenteou e, ao mesmo tempo, substitui o presenteador de maneira que possamos dispensar sua presença.

Só para ilustrar a complexidade de pedidos e presentes, mais um exemplo. Francisco, aos cinco anos, num dia de novembro, quis ditar sua carta ao Papai Noel; ele não queria presente algum naquele ano, preferia que o Papai Noel pensasse nas crianças que não têm nada.

Francisco selou e mandou seu pedido, com grande contentamento dos pais, orgulhosos da generosidade do filhinho. Poucos dias mais tarde, Francisco estava sendo impossível, explosivo, levado. A mãe: "Se Papai Noel souber como você se comporta, ele não trará nada para você". Francisco, feliz e sardônico: "Eu não pedi nada neste ano".

2) Alguns se indignam porque o culto a Papai Noel, figura mágica ou pagã, desnaturaria o Natal religioso. Acho estranho: o Papai Noel encarna e celebra a esperança básica de que o mundo não nos seja hostil, que, ao menos uma vez por ano, ele possa nos querer bem. Graças ao Papai Noel paira, sobre nós todos, um olhar generoso. Será que essa esperança é muito afastada do sentido cristão do Natal?

3) A objeção mais impiedosa ao Papai Noel vem da crítica racionalista, pela qual é nocivo induzir as crianças a acreditar em coisas cuja existência é duvidosa.

Acho curioso. No fundo, acreditar ou não na existência do velhinho do polo Norte é sem relevância. Mas é crucial acreditar na possível generosidade do mundo para com a gente e com todos.

Anos atrás, passando o Natal em Gstaad, uma estação de esqui nos Alpes do Valais, na Suíça, eu e um amigo decidimos (estupidamente) atormentar o pequeno Mário, seis anos, anunciando, sem parar, a chegada iminente do Papai Noel. Mário, ao mesmo tempo, desejava essa chegada e era literalmente apavorado por sua eventualidade.

No fim, quisemos saber: do que ele tinha tanto medo? Da aparição sobrenatural do trenó voador? Do julgamento de seu comportamento passado, que seria implícito no presente recebido? Mario explicou: "Nada disso. É que, se ele vier, eu terei que ser bom".

Agora, se um jovem leitor tivesse aguentado até aqui e me perguntasse "Afinal, para você, Papai Noel existe ou não?", como responderia?

Primeiro, observaria que é bom não dar ouvidos aos que insinuam que o Papai Noel não existe. Os cínicos são sobretudo invejosos; funciona assim: por medo de que meu irmão receba mais amor do que eu, declaro que a mãe não existe e tento vender essa ideia ao meu irmão.

Logo, seguiria o exemplo de uma mãe que, diante das dúvidas do filho, disse: "Se você acredita nele, no mínimo ele existe dentro de você".

Feliz Natal a todos. (Contardo Calligaris)

domingo, 19 de dezembro de 2010

MEU PRAZER PELA LEITURA E PELA ESCRITA



A Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE), através de uma comissão avaliadora, selecionou e transformou em livros as melhores poesias de 2010 e os melhores contos de 2010.

A poesia de minha autoria denominada "A Força da Vida" foi escolhida, assim como o conto "No Reino Das Palavras Encantadas".

A pedido dos meus fãs e leitores que não tiveram acesso aos livros segue abaixo os textos premiados:

A FORÇA DA VIDA

O vulcão interno acorda e, com suas lavas incandescentes, queima tudo o que não é vida em mim. Não há espaço para o nada.

Estou inundada de sonhos, de desejos e de vontades.

Emoções dilatam-se e dançam vibrantes sob a pele.

Minha alma é puro movimento.

A existência explode com sua ânsia descomunal arrastando para as profundezas aquilo que já não é nem deve ser.

Estou grávida do sêmen do mundo.

O bendito fruto do meu ventre é a força do hoje, do agora.

Deus está na amplidão trepidante de possibilidades que abraça o instante que está sendo.

Hoje eu sou absolutamente tudo e todos. Nada existe fora.

A totalidade tece o meu destino e, nesta trama, o fascínio mistura-se ao medo.

Por quanto tempo estive abandonada de mim mesma com meu ventre infértil do orgasmo da vida? Não importa. Estou de volta.

Como um recém-nascido, o clarão do parto perturba meus olhos, porque desaprendi a usá-los. É preciso piscar várias vezes para afugentar os resquícios do sono insosso em que estive adormecida.

Agora posso enxergar a verdade nua e crua, nada mais do que isso, nada além disso: Eu sou. Deus É, foi e sempre será. A natureza divina descansa na infinitude.

A força da vida está em SER. Então, desperte! Viva! Seja bem-vindo.

     NO REINO DAS PALAVRAS ENCANTADAS

Em um reino distante de palavras encantadas, onde realidade e fantasia distraídas convivem em levíssima harmonia embriagada, dois enamorados desejam-se, embora nunca tenham se visto pessoalmente. Foram enfeitiçados pelas cartas de amor trocadas e suas páginas tecidas de imaginação, inspiração e poesia. Parece estranho um relacionamento florescer assim? Talvez o escritor tenha acertado ao dizer que “só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”. Ou quem sabe ele também tenha sido vítima da mesma magia.

Separados por quilômetros, é para a lua que olham, confidenciando os segredos deste romance inventado de sentimentos reais. A eterna musa prateada acolhe os suspiros e as lamentações dos apaixonados com generosidade e respeito. Vaidosa, sabe que os olhos de águas salgadas dos amantes a tornam mais bela. Quando a dor não petrifica os sentidos, ela os aguça e o grito mudo do silêncio é capaz de ferir os tímpanos.

A donzela de delicados traços europeus tem alma borboletácea de asas inquietas coloridas de manchas azuis e verdes. Sua beleza reside na fragilidade inquebrantável de sua metamorfoseada essência.

Sozinha, em seu castelo, porém, sente-se como uma lagarta enclausurada em um casulo de solidão, saudade e tristeza. É somente, na amplidão de seus sonhos, que a tão esperada transformação acontece. Livre da seda, voa alegremente embalada pela brisa e faz do mundo seu imenso jardim, polinizando a vida por onde passa. Seu corpo exala o perfume adocicado e sedutor da dama da noite. Assim como a flor, quando a luz do dia adormece, sente a necessidade de desabrochar suas pétalas, ofertando a graciosa força de sua natureza íntima.

Longe, em terras inimigas, enfrentando a luta inglória onde não há vencedores, o cavaleiro de nobre coração ouve o chamado de sua musa. Andarilho solitário por estradas errantes, em busca de ouro e reconhecimento, o que mais encontra em seu caminho é a tristeza. Ferido, cansado, afogado em mentiras e ilusões, mantém a alma pura e os olhos brilhantes. A paixão torna-o ainda mais forte e potente. Com a espada sangrenta na mão, não se deixa vencer pelo remorso nem pelo medo. Enfrenta bravamente a treva impura a vagar pela noite assombrada. Quando a batalha terminar, encontrará o bem mais valioso de um homem, o amor de sua amada. Montado em seu cavalo veloz, companheiro fiel de tantas aventuras, percorrerá distraído as estradas da esperança sem perceber que busca o que sempre lhe pertenceu. Não mais matará, não mais morrerá. Pelo caminho, sua bagagem vai despejando dores desnecessárias e oportunidades perdidas que, vencidas, penetram no solo adormecido do tempo.

Será sábado de primavera no dia do encontro. Aninhados, embriagados e aquecidos por desejos úmidos e urgentes, seus corpos executarão compassados a dança fascinante da entrega. O cerimonial da vida, que é faminta de existência, transformará a realidade em um grande sim. Não será mais preciso esperar. O presente chegou. Agora, a lua acolhe as juras de amor dos corações acelerados e, falsamente envergonhada, finge não ouvir o ronronar dos gemidos e das respirações ofegantes.

Desde então, no reino das palavras encantadas, o vocábulo “impossível” entrou no mais completo desuso.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

FAÇA AMOR COM A VIDA E NÃO COM A AIDS!



Como apaixonada incurável pela vida e como profissional preocupada com a saúde emocional e física de meus pacientes, amigos e familiares, não poderia me ausentar no dia de hoje.

O texto abaixo é da autoria de Diana Aventino, uma querida e talentosa escritora da nova geração. 

__hoje NÃO É um dia comum__

Muitos da minha geração não acompanharam o sofrimento que é ter um amigo levado pela AIDS. Vê-lo sofrendo com os efeitos colaterais da medicação, vê-lo definhando lentamente, com infecções atrás de infecções. Vê-lo com preocupações sobre tocar, bEiJar, abraçar a família, o outro. Tendo não só a imunidade diminuida dia-a-dia, mas a auto-estima, a coragem, o humor, os amigos, a alegria...

Consequentemente, muitos não dão importancia para as formas de prevenção e para a gravidade que é conVIVER com este vírus.

Dados da ONUSIDA, estimam que no Brasil existam cerca de 700 mil portadores do vírus. Pessoas suficientes para lotar 10 estádios do Maracanã... E segundo Mario Scheffer, da ONG Pela Vidda, destes cerca de 250 mil nem sabem que são portadoras do vírus.

Ainda em pleno século XXI não usamos camisinha. ÔôÔôÔôôô, poxa...

A AIDS/SIDA não escolhe cor, raça ou gênero. 25 milhões já morreram em todo o mundo e embora no Brasil o Programa Brasileiro de AIDS seja bem estruturado com a epidemia, a cada dia 30 pessoas morrem no Brasil, indicadores que não nos dão orgulho nenhum. É um ônibus cheio caindo pelo precipício todo dia...

Aumentar o acesso ao tratamento a esta doença crônica, aos medicamentos, a quebra de patentes, a descoberta de remédios potentes e com menos efeitos colaterais é super importante, porém como dizia vovó, hoje ainda o melhor remédio é prevenir.

Cuidado minha gente. Usar camisinha é um ato de amor!

Diana Aventino






sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A CINDERELA MODERNA E O PARAÍSO FEMININO


Um dia, o rei resolveu dar um baile no castelo e convidou todas as moças do reino para que o príncipe escolhesse sua esposa.

Cinderela também queria ir à festa, mas sua madrasta a proibiu, alegando que ela não tinha um vestido digno para a ocasião. No fundo, temia que a beleza de Cinderela conquistasse o príncipe e impedisse que uma de suas duas filhas fosse a escolhida.

Nossa heroína, com a ajuda dos amiguinhos da floresta, costurou um vestido de retalhos, que foi rasgado pela madrasta e por suas filhas na última hora para impedir que ela tivesse tempo de fazer outro.

Cinderela ficou muito triste. Foi para seu quarto, chorou e rezou muito. Então, de repente, a fada madrinha apareceu e, com sua varinha mágica, criou um lindo vestido para a sua protegida. Também transformou uma abóbora em uma linda carruagem; o gato, em cocheiro; e o rato, num belo cavalo.

Antes de partir, a fada avisou que o encanto terminaria à meia- noite.

O paraíso feminino para a maioria das mulheres é o lugar em que bolsas “descoladas”, sapatos lindos de saltos altos e finos, perfumes afrodisíacos, brincos e anéis reluzentes, jeans bem justos e sexys, botas “transadas”, batons que deixam os lábios carnudos, vestidos poderosos, enfim, onde tudo isso está ao alcance de suas mãos e cartões de crédito como num passe de mágica.

Qual de nós, após uma briga terrível com o namorado ou uma encrenca escabrosa no trabalho, não correu ao shopping e fez compras para se sentir melhor?

Só que, além de não resolver o problema afetivo nem o profissional, acabou arranjando mais um: o financeiro, uma vez que as novas dívidas precisarão ser pagas.

Vivemos em uma sociedade capitalista, realizadora de desejos, em que tudo é transformado em mercadoria, objeto de consumo e gozo.

O sistema quer que a gente ande na moda, troque de carro todo ano, compre vários eletrodomésticos (ainda que você nem saiba bem como usá-los nem para que servem) e adquira um apartamento que vai lhe deixar endividada pelo resto da vida.

Ouvimos a mesma mensagem o tempo todo: possuir coisas é bom, quanto mais você tiver, melhor.

Os produtos prometem felicidade, liberdade, sucesso, poder e “status”, mas não cumprem a sua promessa.

Uma boa parte do orçamento familiar é usada na compra de produtos e serviços relacionados à estética. Porém, a beleza não vem de brinde junto com o creme facial da marca de cosmético famosa nem o moço bonito da propaganda de perfume vem com o produto adquirido.

Quanto mais carentes e descontentes estamos, mais compramos. Sentimos um vazio interno e tentamos preenchê-lo de algum modo. No fundo, estamos buscando afeto. Queremos ser amados e, então, procuramos ter tudo aquilo que possa fazer com que sejamos mais admirados, valorizados e desejados. Por isso, a satisfação dura pouco, porque, na verdade, não é o objeto adquirido que queremos. Nós desejamos mesmo é o reconhecimento do outro. Os avanços tecnológicos têm alcançado feitos incríveis, mas o amor ainda é a força transformadora mais revolucionária de todos os tempos. É ele que nos comove, impulsiona, alimenta e enlouquece. Tem o poder de criar, libertar e embelezar e, quando mal utilizado, em seu nome se mata, destrói e escraviza.

Para o sistema é bom que seus desejos nunca sejam satisfeitos, pois é do desejar sempre mais, sempre outra coisa, que ele se alimenta.

Aprender a analisar a necessidade real do consumo ajuda muito. Na hora da compra, avalie se você precisa realmente, ou se apenas quer o que está adquirindo.

Muitas vezes, o desejo de comprar vira doença. Aumentou o número de pessoas que buscam ajuda psicológica e psiquiátrica para controlar o consumismo compulsivo, que é mais comum em mulheres.

O ato de comprar indiscriminadamente é uma doença chamada “oneomania”. Os acometidos gastam sem pensar (impulsividade do ato) e mais do que ganham, adquirem produtos repetidos ou sem utilidade nenhuma, se irritam diante da impossibilidade de comprar, escondem as aquisições e as dívidas dos amigos e familiares. Pretendem comprar um tênis e voltam para casa com um carro.

É comum a compulsão vir acompanhada de outros vícios. Quem está nesta situação deve procurar ajuda. Existem grupos de apoio para tratar a doença como, por exemplo, os DA (devedores anônimos).

A compulsão é do reino da ação. A pessoa faz algo repetidamente porque não consegue evitar fazer. Portanto, o tratamento deve levar o paciente a encontrar outras formas de manejar seu desamparo, suas carências e angústias, reduzindo a impulsividade do ato através do incremento da capacidade de pensar.

domingo, 24 de outubro de 2010

DISFUNÇÕES SEXUAIS


Como foi dito na postagem anterior, todo mundo gosta de dizer que é bom de cama, mas, na verdade, existem muitas mulheres e homens que negam seus problemas sexuais por medo e vergonha ou por acharem que não há solução para eles ou por acreditarem que com o tempo serão capazes de resolvê-los sozinhos.

Alguns leitores me perguntaram quais são os problemas sexuais mais frequentes. Achei por bem então, passar essa informação a todos.

De acordo com o Consenso Latino- Americano de Disfunção Erétil de 2003, as disfunções sexuais mais comuns são:

Nos homens:

• Disfunção erétil;

• Ejaculação precoce;

• Ejaculação retardada;

• Diminuição ou perda de libido.

Nas mulheres:

• Dificuldades relacionadas ao desejo sexual (hipoatividade, aversão sexual);

• Dificuldades na excitação sexual;

• Dificuldades relacionadas ao orgasmo;

• Dor sexual (dispareunia, vaginismo, dor sexual não relacionada ao coito).





terça-feira, 12 de outubro de 2010

DICAS PARA TER MAIS PRAZER NAS RELAÇÕES SEXUAIS


Vivemos em uma sociedade considerada "moderna", mas na qual ainda pouco se fala sobre sexo de uma maneira natural e educativa.
Todo mundo gosta de dizer que é ótimo amante, no entanto, a insatisfação sexual é mais comum do que ousamos admitir.
Vale a pena conferir a matéria de Mônica Vitória para a revista Bolsa de Mulher com especialistas na área da sexualidade:

"Como manter a chama acesa? "Resgatar as respostas sexuais (o gostoso arrepio na nuca, o desejo incontrolável de ir para a cama após muitos beijos, as fantasias, o tremor do corpo) não é impossível. Para isso, devemos manter a nossa sexualidade sempre vibrante e presente para evitar que o desgaste do dia a dia leve os casais a serem somente bons amigos e quase ex-amantes", recomenda Celso Marzano. Se a libido anda muito baixa, outra solução é buscar tratamento adequado com um terapeuta sexual.

“Fica difícil desejar uma boca que nos desqualifica, beijar um corpo que nos maltrata e acariciar mãos que nos acusam ou nos agridem. Amor não deve ser confundido com desrespeito.”

Aí vão algumas dicas para recuperar o gosto pelo sexo:

- Cultive o diálogo sincero.

- Procure ser atraente para o outro em atitudes e cuide da própria saúde e higiene.

- Seduza e deixe-se seduzir.

- Mantenha a autoestima elevada. "Temos que nos amar para podermos dar amor, temos que nos sentir atraentes para atrairmos", aconselha o sexólogo Celso Marzano.

- Busque criatividade, empatia, carinho, gentileza. Faça com que o outro se sinta especial.

- Lembre-se: alguém tem que começar, mas os dois precisam se dedicar. A busca pelo prazer deve ser mútua.

- Cultive o respeito sempre. É preciso querer e estar à vontade para transar.

- Melhore a intimidade entre vocês.

- Não encare o sexo como algo sujo, ruim ou doloroso, mas como algo saudável. Desejo não é pecado, faz parte da natureza humana.

- Conheça e explore seu corpo. Não há nada de errado em se tocar.

- Invente maneiras de despertar o desejo e compartilhe-as. "O casal deve discutir as suas fantasias sexuais e colocá-las em prática, se não for agressivo para qualquer um dos dois", acrescenta Marzano.

- Durante o sexo, não se limite: tente novas posições e carícias. Liberte-se.

- Invista muito e cobre pouco.

- Tenha paciência. Muita. "Lembre-se de que o processo de reconquista é muito mais delicado que o da conquista", recorda a psicoterapeuta Ana Maria Zampieri.

- Se for preciso, procure ajuda profissional.

E, quando nada mais puder ser feito com o parceiro, permita-se abrir-se para novas possibilidades. "Fica difícil desejar uma boca que nos desqualifica, beijar um corpo que nos maltrata e acariciar mãos que nos acusam ou nos agridem. Amor não deve ser confundido com desrespeito. Um grande depósito de mágoas faz perder totalmente o desejo", reitera Ana Maria Zampieri. Busque o prazer para ser feliz, e não por medo, por dependência emocional ou financeira. "O sexo por obrigação só perpetua as disfunções sexuais", ressalta o ginecologista Eliano Pellini."